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A atração de Júpiter, as crateras e os asteróides

No mês passado Júpiter captou um objeto e foi a atração da comunidade de astrônomos amadores, pois quem primeiro viu foi um amador. Assim que ele avisou a comunidade, o telescópio profissional captou as imagens abaixo com mais detalhes (clique para ampliar).
Impacto em Júpiter e a imagem da Terra para comparação
Impacto em Júpiter em detalhe
Credit: Paul Kalas (UCB), Michael Fitzgerald (LLNL/UCLA), Franck Marchis (SETI Institute/UCB), James Graham (UCB)

Este mês Júpiter chama a atenção por estar em oposição, isto é, o Sol a Terra e Júpiter estão quase alinhados, o que aumenta o seu brilho aparente pois está mais próximo da gente do que em outras épocas da nossas órbitas relativas.

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Para ver Júpiter até o fim deste mês, não tem erro. Vai ser um dos pontos mais brilhantes do Céu. Vai sair do lado Leste no início da noite e vai brilhar até a madrugada. Quem tiver céu claro e um pequeno telescópio destes em promoção nas lojas de óculos, pode ver o planeta e as suas luas principais, como nas ilustrações acima.

É interessante perceber que os planetas e seus satélites têm sido atingidos por pequenos objetos ao longo de todos os tempos. Basta observar as crateras da Lua.

Crateras da Lua. Histórico de impactos.
Crateras da Lua. Histórico de impactos.

Aliás, alguns astrônomos já conseguiram pegar o momento de impacto de alguns objetos na Lua, onde levanta poeira e parece uma pequena explosão.

Explosões recentes na Lua indicam impacto de pequenos objetos.
Explosões recentes na Lua indicam impacto de pequenos objetos.

Nesta semana a nave de exploração de Marte enviou imagens com a maior qualidade possível (visão oblíqua com sombras ajudam na visão de profundidade) da cratera Vitória:

Cratera Vitória de Marte
Cratera Vitória de Marte

Na Terra identificamos várias crateras, como no Arizona:

Cratera no Arizona
Cratera no Arizona

A pergunta que não se cala. Com que freqüência estes choques violentos acontecem. Estamos ameaçados? Sim, mas tem alguns estudiosos rastreando os pequenos objetos que podem cruzar a órbita terrestre para anteciparem algum desastre. Notem que isto não é fácil, pois o asteróide que atingiu Júpiter não tinha sido avistado antes da colisão com o super planeta. Alguns asteróides são pequenos e escuros para serem vistos, e mesmo assim, podem causar estragos.

Por enquanto, se um asteróide ou cometa estiver em rota de colisão com a Terra, a melhor estratégia é viajar para o outro lugar em que o impacto não cause danos. Para isto, o local do impacto deve ser calculado com bastante precisão e antecedência (semanas ou meses).

[updated]A atração gravitacional de Júpiter tem um papel importante de proteção para a Terra para asteróides ou cometas vindo de longe, das núvens de Oort, mas para os asteróides do cinturão de Kuilbert, a atração de Júpiter nãos nos protege, muito pelo contrário, vide a nossa Lua e Marte.

Não há razão para paranóias,  pelo contrário, isto tudo é muito fascinante.

Viagem ao centro da nebulosa da Hélice: Helix Nebula

A nebulosa da Hélice está retratada com maiores detalhes a partir do trabalho de astrônomos associados à ESO (European Organisation for Astronomical Research in the Southern Hemisphere) de imagens obtidas dos telescópios no Chile. As imagens são espetaculares, mas considero mais importante ainda o fato que o entendimento da formação de sistemas planetários se fortalece com este tipo de observação.

Vamos às imagens primeiro e depois comento alguns detalhes. Abaixo uma composição de imagens usando filtros azul, verde e vermelho com exposições de 12, 9 e 7 minutos respectivamente.

NGC 7293
NGC 7293

O brilho azul no centro vem do oxigênio que absorve radiação ultravioleta da estrela central e emite na faixa azul esverdeado (500 + 496 nanometros). Veja o espectro do oxigênio em laboratório. As cores mais avermelhadas vêm do hidrogênio (656 nm) e nitrogênio (650 nm).

Recomendo fortemente a vídeo animação da observação em zoom da nebulosa. Parece uma viagem. Veja a página da ESO os vários formatos e resoluções de vídeos.

A animação abaixo tem pouca resolução mas já dá pra ter uma ideia.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

more about “ESO – Helix Nebula Zoom“, posted with vodpod

A nébula da Hélice (Helix Nebula in english), catalogada como NGC 7293, está a 700 anos luz de nós do sistema solar. Ela está localizada na constelação de aquários, na sua coxa esquerda, e é uma das nebulosas planetárias mais próximas da gente. Não há planetas ainda mas os gases que vemos coloridos nas nébulas são foram produzidos e ejetados por uma estrela que explodia e está em processo de envelhecimento na forma de uma anã branca. A principal camada externa na forma de anel tem uns dois anos-luz de diâmetro. Para colocar em perspectiva, o Sol está a quatro anos-luz da estrela  Alpha Centauri C, também chamada de Proxima Centauri.

Read more at ESO press release

Apreciação pelas nuvens

Pode ser muito frustrante para um astrônomo encarar os céus nublados em uma noite programada para determinada observação. Nestes dias da passagem do Cometa  C/2007 N3 (Lulin) eu tive apenas uma noite boa para observar, mas não era a melhor proximidade do cometa. Nas outras noites teoricamente melhores, eu tive nuvens nos céus.

Ao invés de reclamar, é melhor apreciar, pois as nuvens formam um espetáculo à parte. A física da formação e precipitação das nuvens é muito rica e ainda há muito o que aprender com elas.

Dica do Obvious

Buraco negro, disco e jatos na galáxia Centaurus A

Belíssima a foto processada recentemente:

ESO/WFI
Credit: X-ray: NASA/CXC/CfA/R.Kraft et al.; Submillimeter: MPIfR/ESO/APEX/A.Weiss et al.; Optical: ESO/WFI

A astrônoma Duilia de Mello, mulher das estrelas, nos explica:

Estes buracos negros geralmente têm um jato perpendicular ao disco de matéria que rodeia o buraco negro. Os jatos lançam matéria a distâncias bem elevadas. No caso da Centaurus A tem matéria lançada a mais de 13 mil anos luz de distância da galáxia. Mas se já sabemos tudo isto porque que esta imagem é tão reveladora? O problema é que os jatos, o disco, as estrelas, a poeira, etc. emitem radiação em uma determinada frequência e não são capturados com um único instrumento. Esta imagem combina imagens feitas com o radiotelescópio APEX (cor laranja) no Chile, com o satélite de raio-X Chandra (azul) e com o telescópio de 2,2m do Max-Planck-ESO (outras cores) no Chile.

viaJatos, buracos negros e beldades – BLOG MULHER DAS ESTRELAS – SUPERINTERESSANTE.

De fato Centaurus A ou NGC 5128 é de tirar o fôlego. Veja uma foto:

Centaurus A
Centaurus A

Infelizmente não é visível a olho nu. A galáxia fica relativamente próxima ao nosso Cruzeiro do Sul. Veja a localização relativa nas ilustrações abaixo.  As ilustrações abaixo são feitas para um observador da região de Campinas, em torno da meia noite em Fevereiro.

De qualquer forma, olhar para o céu, sempre é gratificante! Boa observação.

Por que a água sobe enquanto o objeto afunda?

Jato sobe enquanto um objeto afunda
Jato sobe enquanto objeto afunda

Pesquisadores europeus estão em alegria profunda.
Agora eles entendem porque um  jato de água sobe
enquanto um objeto se afunda.

Desculpe-me pela paródia da famosa poesia de banheiro. Não resisti. Mas o assunto é sério. Por mais simples que pareça o fenômeno, ainda não havia explicações convincentes do jato emitido. Veja a foto do jato.

Observem que há muitos elementos em jogo: tensão superficial da água, pressão dinâmica da água, interação do ar com a água etc.

Os pesquisadores investigaram com análise matemática, simulação computacional e experimento real com máquina fotográfica super rápida. O resumo do artigo na Physical Review Letters é o seguinte (tradução livre):

Quando um disco circular atinge uma superfície de água, ela cria uma cratera de impacto que, depois de se colapsar, produz um jato vigoroso. Por causa do impacto uma cavidade de ar axisimétrica se forma e eventualmente se parte em um único ponto na metade da cavidade criada. Dois jatos delgados e rápidos são observados. Um pra cima e outro pra baixo …

Read Why Dropping a Stone Makes a Jet no Focus of Physical Review. Ou o artigo orginal High-Speed Jet Formation after Solid Object Impact na Physical Review Letters.

E veja também duas fotos artísticas de Martin Waugh:

Pingo no i
Pingo no i
gota de água
http://www.liquidsculpture.com

Shows da Lua, Madonna e dos Radiohead

Veja a seqüência de imagens em que a Lua vai de horizonte a horizonte em 14 dias. As ilustrações, como vistas de Campinas, SP, Brazil sempre 20h30m (horário de verão de Brasília). Abaixo 4 das imagens. Clique em qualquer imagem para ver um slideshow.

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Perceba o caminho da Lua (fora de escala). A cada dia um avanço relativo. A ilustrações mostram o céu em na projeção olho de peixe ou projeção azimutal equidistante. Nesta projeção, algumas linhas retas tornam-se curvas vistas como aconteceria com lentes de cameras de amplo ângulo.

Agora estamos com uma Lua cheia, a maior do ano, pois ele está em sua menor distância da terra, o perigeo e tem o brilho de magnitude aperente -12,4.  Enfim. A Lua nos deu um show em Dezembro de 2008.

Do celeste para mundano, teremos aqui no Brasil os shows da estrela pop Madonna. Eu a considero a rainha do show music business. Ela tem um rock que eu até  gosto de ouvir, mas o que mais impressiona é o visual. Um espetáculo! Eu vou assistir em São Paulo e espero ver algo similar ao que ela fez no Confessions Tour. Veja no YouTube os 6 minutos frenéticos de muitos movimentos, imagens e música.

Outro show que vai valer a pena é do grupo Radiohead que vem ao Brasil. Veja no YouTube o arranjo da música Creep:

Seguindo a idéia de oferecer mais de uma versão, ouça com qualidade de som superior, a mesma música Creep dos Radiohead:

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Aproveite os shows do céu e da terra!