ENEM: erros e acertos

O exame nacional de ensino médio (ENEM) teve mais um deslize em 2010. Não bastassem as criticas ideológicas, pedagógicas e politicas, o segundo ano de aplicação do ENEM teve problemas de paginação. A gráfica responsável pelo erro afirmou que apenas 21 mil cadernos amarelos tiveram este problema e explicou, não justificou, que o sigilo exigido dificultou a revisão dos cadernos impressos. Sim, 21 mil é muita gente, mas é pouco em relação a 3,3 milhões.

O caso deve ser investigado, mas o presidente do INEP e o minstro da Educação afirmaram que vão fazer de tudo para não prejudicar os alunos.

No entanto, alguns advogados e pelo menos uma juíza federal querem prejudicar a TODOS os alunos que fizeram a prova: eles pedem cancelamento do exame e usam um argumento abstrato de isonomia para justificarem a ação. Esquecem no entanto outros princípios básicos de justiça: Um erro não justifica outros; O justo não deve pagar pelo pecador.

Alem do mais quem quer a anulação do ENEM não entendeu o formato deste exame, que tem um procedimento estatístico de correção de dificuldades dos itens daquela prova e com isto, as notas relativas das provas de 2010 poderão ser comparadas com outras provas futuras. A nota de um aluno é, em certo sentido, e com uma margem de erro, independe de qual prova o aluno fez. O ENEM usa a metodologia da TRI, teoria de resposta ao item, que se aplica muito bem a provas de múltiplas escolhas com vários itens e com muitos candidatos fazendo cada prova.

Desta forma, é perfeitamente razoável e muito mais justo refazer as provas daqueles que se sentiram prejudicados. O resultado do ENEM é relativo, e assim será dentro de cada prova. Aliás, o ENEM poderia acontecer a cada bimestre, por exemplo. Os alunos poderiam fazer um ENEM e depois fazer outro quando se sentirem mais bem preparados. A nota do aluno vai indicar quanto ele sabe em relação aos outros alunos que fizeram a mesma prova. Considerando uma amostragem razoável e representativa de alunos candidatos em provas distintas, podemos considerar que a nota 657 de uma prova representa essencialmente a mesma coisa que a nota 657 de outra prova.

Estas explicações todas não são suficientes para acalmar um estudante. Temos que lamentar, mas o pior dos mundos seria penalizar 3,3 milhões de alunos por causa de um erro de paginação. A gráfica responsável pode ter comemorado quando ganhou a licitação pública de R$ 65 milhões, mas agora deve estar fazendo as contas para não falir depois disto.

Nos primeiros dias após estes incidentes, a justiça, defensoria pública e a OAB erraram mais do que o INEP. Considero que há condições de acertos ainda para todos. O prego do erro foi cravado. Ele pode ser retirado, mas vai deixar a sua marca. É a vida, cheia de erros e acertos.

UPDATE (16/11/2010): O ministro da Educação usou um argumento interessante para o não cancelamento do ENEM 2010: “.. as 14  edições do ENEM … tiveram algum problema técnico … com uma solução cabível  que não o cancelamento da prova”. O corolário desta afirmação é que, no caso de cancelar o ENEM, a edição substituta vai ter algum erro também, e assim ad infinitum.

6 opiniões sobre “ENEM: erros e acertos”

  1. olha pra mim esse enem foi um cals total , muitooo mal organizado e o gabarito ta uma putaria pra sair , entao se é pra fazer que seja certo , se nao nem colquem errado rãmmmmmmmm !!! eu estou frustado com td isso !!!’

  2. Estou certo de que oferecer aos estudantes que fizeram o ENEM deste ano outra oportunidade é nada mais do que o justo e correto a ser feito. Um dos fatos que poderiam justificar tal reaplicação do exame seria o que me ocorreu durante a resolução da prova, a qual não era amarela e nem apresentava defeito algum, porém, conforme resolvo as questões tenho o costume de ir passando-as para o gabarito e derrepente o fiscal da sala informou para que não preenchêssemos ainda o gabarito, pois havia um erro. O nervosismo veio à flor a pele, visto que já tinha preenchido muitas questões, porém mesmo assim tive que continuar em frente durante alguns longos minutos esperando uma resposta que não me prejudicasse. Este clima de apreensão com certeza contribuiu para muitos estudantes, do mesmo modo que eu, não atingissem o resultado que poderiam atingir se caso não tivessem ficado nervosos com tal situação. Portanto, além das provas com defeito que dizem ter prejudicado apenas poucos estudantes, eu venho dizer que todos os que fizeram a prova foram prejudicados psicologicamente. É nosso direito exigir outra prova, pelo menos para aqueles que de alguma forma se sentiram prejudicados. Espero que a justiça seja feita e que INEP não defase ainda mais a frágil credibilidade que se encontra o ENEM hoje.

    1. Emerson,

      Concordo plenamente com você e como escrevi, não há problema em fazer mais de um ENEM em um ano (ou em período ainda menor). Aqueles que sentiram-se prejudicados, deveriam fazer outro exame, se quisessem. O custo de um novo exame para quem se sentiu prejudicado indiretamente deveria ser de alguma forma dividido entre a gráfica (culpada pelo transtorno) e os alunos interessados (se o aluno está disposto a pagar parte do custo, já é um indício forte de que ele é sério). A questão do custo não é trivial. Não sei se a população que paga impostos concorda em pagar mais uma vez para aqueles com a atitude “não me custa nada mesmo …”. Não parece ser o seu caso Emerson, a julgar por sua redação no comentário.

  3. VOU AQUI DIZER LOGO PARA TODOS, A PROVA DO ENEM DEVE SER ANULADA, PORQUE CONHEÇO UMA PESSOA DE PERNABUCO QUE TAMBEM TINHA JA AS QUESTÕES DA PROVA QUE FOI PASSADO POR CELULAR. O ALUNO E DO PROPRIO COLEGIO.

    ESSA E VERDADE.

    EU TAMBÉM RECEBIE

    OBRIGADO

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