Relâmpagos ou raios fatais

75 mortes por raios em 2008 no Brasil.

Edição Online – 08/01/2009 Pesquisa FAPESP –

© Elat

Em 2008. foram registrados mais de 60 milhões de descargas elétricas no país

A distribuição de mortes por estado em 2008 foi a seguinte:

São Paulo. Foto de André di Lucca
São Paulo. Foto de André di Lucca
  • São Paulo, 20
  • Ceará, 7
  • Minas Gerais, 6
  • Alagoas 6
  • Rio Grande do Sul 5

Levando em conta área do estado e população, não é de se estranhar que São Paulo apareça primeiro na lista. Mas podemos fazer a seguinte análise simples. Se as descargas elétricas foram distribuídas igualmente no território brasileiro, poderíamos concluir que a quantidade de eventos poderia ser proporcional ao produto da área pela população. De acordo com o IBGE temos (Estado, População e área em km quadrados)

  • Minas Gerais. 19.273.506 * 586.528,293 = 1,13 * 1013
  • São Paulo. 39.827.570 * 248.209,426 = 9,89 * 1012
  • Rio Grande do Sul.  10.582.840 * 281.748,538 = 2,90 * 1012
  • Ceará. 8.185.286 * 148.825,602 = 1,22 * 1012
  • Alagoas. 3.037.103 * 27.767,661 = 8,43 * 1010

Sabemos que a quantidade mortes no Brasil foi recorde, mas em termos amostragem estatística é pequena. Mesmo assim, pelos números acima de número de habitantes vezes quilômetros quadrados, deveríamos ter uma distribuição diferente se os eventos fossem igualmente distribuídos pelo Brasil.  Em particular, a quantidade de mortes em Alagoas foi muito maior e a do Rio Grande do Sul muito menor do que o esperado. Seria interessante levantar as possíveis razões para estas anomalias e quem sabe evitar outras tragédias.

Houve três casos de mortes de pessoas que foram atingidas por descargas elétricas enquanto falavam em celulares cuja bateria estava sendo carregada na rede elétrica. “É a primeira vez que registramos esse tipo de caso”, diz o meteorologista Osmar Pinto Junior, coordenador do Elat. “Não sabemos se foi apenas uma coincidência ou se esses casos refletem uma nova realidade.”

Mortes de pessoas falando em telefones fixos em dias de tempestade acontecem há tempos, mas, com o aumento no número de celulares no país e a constante necessidade de recarregar a sua bateria, esse novo tipo de ocorrência pode se tornar mais frequente. A dica é não usar o celular conectado na rede de energia, sobretudo em dias de chuva.

Os pesquisadores do Elat calcularam que, no ano passado, a chance de uma pessoa ser atingida por um raio foi de uma em 2,5 milhões.

via Pesquisa FAPESP Online.