Gota brilha tranqüila, cai e oscila.

A poesia e a música de Tom Jobim e Vinícius de Morais inspiram filósofos, poetas, artistas e também os cientistas. Ouvindo a música A Felicidade, uma frase me chamou a atenção desta vez. Quem puder e quiser apreciar a orquestra sinfônica OSESP 2002 toque o vídeo abaixo:

A Felicidade

Tristeza não tem fim, felicidade sim (BIS)
A felicidade é como a gota de orvalho
Numa pétala de flor
Brilha tranqüila, depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho, pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira
Tristeza não tem fim, felicidade sim (BIS)
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve, mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada, fale baixo por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor

gota de águaA comparação da felicidade com a gota de orvalho em uma pétala pode levar à pergunta como se forma uma gota? A afirmação de que tranqüila a gota brilha revela aspectos de reflexão e refração da luz pelo líquido em seu interior. O arco-íris mostra estes “brilhos” coloridos, um fenômeno com as gotas de chuva.

A letra continua chamando a atenção para o equilíbrio instável da gota na parte convexa da pétala. Depois de um certo tempo, uma pertubação qualquer tira a gota da sua posição tranqüila. E cai. Tanto a pétala quanto a gota são leves e podem oscilar. A pétala pelo vento e suas forças de restauração ao equilíbrio e a gota pela tensão superficial.

Veja a belíssima foto do fotógrafo profissional e escultor cientista Martin Waugh. Vemos uma seqüencia em formação de gotas. No site www.liquidsculpture.com há várias outras fotos de se tirar o fôlego.

A gota e a felicidade terminam mas são belos momentos enquanto duram.