Dilemas da Racionalidade

Os Neurologistas estão “queimando pestanas” para entender o nosso cérebro. A minha filha Joyce indicou-me a matéria Best of the Brain com as 5 pesquisas mais relevantes na visão do autor:

  1. Padrões de ressonância magnética são decodificados para prever as decisões tomadas por um indivíduo com mais de 70% de acerto. A pesquisa envolve decisões simples em ambiente bem controlado, mas chega a ser preocupante.
  2. Padrões de comportamento ético podem ser modificados por alterações (cirurgia ou acidente) neurológicas.
  3. Opções sexuais podem ser definidas, e possivelmente alteradas, no cérebro.
  4. Registro de casos de consciência, indicada por padrões de ressonância magnética, em pacientes em estado vegetativo.
  5. A inteligência artificial e robótica tiveram progressos significativos. Longe das ficções científicas, mas o computador dedicado já superou o homem em jogos de xadrez e o robô é capaz de se corrigir.

A cada avanço vários dilemas de cunho ético ou prático. Entender e até alterar o centro das nossas razões, sentimentos e decisões tem demanda garantida na sociedade moderna. A psiquiatria e psicologia estão trocando figurinhas com a neurologia para diminuir os mistérios do cérebro.

E a matemática tem oferecido outras informações empíricas importantes. Por exemplo, na última (Jun/2007) Scientific American o economista Basu, da Cornell University, apresenta Traveler’s Dilemma com teoria dos jogos e experimentos com voluntários para fazer a seguinte conjectura: A lógica matemática é incompleta para descrever nossas decisões ou o nosso cérebro não usa apenas o raciocínio formal para tomar decisões.

O dilema do viajante ou do prisioneiro pode ser colocado de várias formas. Vou fazer assim.
Prisioners dilemma
Um professor de matemática sempre convoca os alunos para revisarem suas provas em grupos de mesma nota. Para fazer a média final ele percebe um erro de digitação. As notas de dois alunos não foram lançadas. Vamos chamá-los de Judas e Caim. Com tantas provas e alunos, o professor só sabia que os dois alunos tinham tirado a mesma nota e eram inteiras entre 2 e 8. Ao invés de procurar as provas do início do semestre (naquela pilha enorme) ele propõe o seguinte. “Cada um de vocês deve escrever a sua nota neste pedaço de papel. Sei que as notas (inteiras) são iguais e está entre 2 e 8. Mas se as notas que vocês escreverem estiverem diferentes, vou considerar o menor valor e dar dois pontos a mais para aquele que escreveu a menor nota e tirar dois pontos daquele que escreveu a maior nota.” O professor sabe que, sem incentivo ou punição os dois escreveriam as notas máximas, ambos precisam de notas e provavelmente não tiraram notas iguais por acaso.

O que passaria na cabeça de Judas e de Caim? Um conhece a esperteza do outro. A análise racional da teoria de jogos faz a seguinte regressão. Judas pensa em escrever 7 pois Caim deve escrever 8. Pela regra, Judas iria ficar com nota 9 e Caim com nota 6. Mas Caim deve pensar a mesma coisa e assim, os dois ficariam com a nota 7. Então é melhor para Judas, escrever 6 pois com o bônus iria para 8. Novamente, Caim iria pensar igual. Assim, por análise racional, fria e lógica, a melhor alternativa é escrever 2. Esta seria a escolha do equilíbrio no jargão do prêmio Nobel em Economia John Nash que inspirou o filme de 2001 Uma mente brilhante. Mas esta escolha contraria o senso comum. Pode até ser que Judas arriscaria dar um golpe escrevendo uma nota mais baixa para ganhar o bônus, mas provavelmente não tão baixa. Esta impressão é confirmada por alguns experimentos que o artigo Traveler’s Dilemma resume.

As aplicações de teorias de jogos são enormes. Eu gostaria de receber o livro abaixo de presente para aprender um pouco do assunto. Quem sabe no meu aniversário?!
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