Ensino Básico Público ou Escolas Privadas?

Revista de adolescente No Brasil o Estado não consegue oferecer o ensino básico satisfatório à sua população ainda que aplique parte significativa dos impostos dos contribuintes nas Escolas estaduais e municipais.
Em outubro de 2006 o Jornal Nacional (JN) da TV Globo mostrou a série de reportagens “Como países cheios de problemas encontra[ra]m o caminho para crescer“. Em outra série o JN mostrou a forte correlação entre Educação e Emprego: “Sem um, não se consegue o outro. O avanço social é fruto de sua combinação. A primeira foi um recado “global” aos políticos e a segunda aos pais, pois nem adolescentes e muito menos crianças pensam no país ou no futuro emprego para estudar. Nesta idade, as preocupações são locais e imediatas. Veja, por exemplo, a capa de uma revista direcionada às adolescentes.
A preocupação com a Educação entre os brasileiros em geral não é muito melhor do que a dos adolescentes. Ocupa a sétima colocação, como constatou o Ibobe-Opinião em 2006. “Na sua opinião, qual é a área que o Brasil enfrenta o maior problema?”. A resposta (induzida) teve uma distribuição como esta:

Saúde
Emprego
Fome/Miséria
Segurança Pública
Corrupção
Drogas
Educação

O problema é muito sério pois cria um ciclo vicioso. Investir em Educação não é prioridade, o que a torna inócua e cansativa. Assim, a manchete deste domingo (07/01/07) na Folha de São Paulo, “Escola não motiva e perde milhões de alunos“, não causa admiração nem mal estar na população: “1,7 milhão de jovens entre 15 e 17 anos (16% do total) … não estud[ou] em 2005”. Por que? Para a maioria (40%) “é a falta de vontade de estudar que os empurra para fora do sistema de ensino …”. A frase é dos jornalistas Antônio Gois e Luciana constantino, a ênfase é minha. No entanto uma pesquisa do IBOPE-Opinião revela que “os pais estão satisfeitos com a escola (pública) dos filhos, mas, se pudessem, optariam por escolas particulares”.

Assim, o ensino básico público vai de mal a pior. Os adolescentes não querem estudar nem de graça e os pais não se importam com as escolas públicas. Para eles, pais e alunos, a solução seria o ensino privado. Aparentemente o movimento é similar na Índia.
Aumentar a qualidade do ensino público tem preço alto. Estamos dispostos a pagar? É dinheiro e tempo para capacitação dos professores, logística familiar, municipal, estadual e nacional etc. Vale a pena? Que resultados esperamos? 100% com qualidade para todos? Por quantos anos?
Falta de vontade de estudar é normal. Sempre foi e será por muitos séculos. Estudar ainda não é natural.

Termino com o estudo do governo feito pelo INEP à procura das exceções. Selecionaram, com critérios discutíveis mas razoáveis, 33 escolas públicas com bons rendimentos na “Prova Brasil”. Esta prova, de Matemática e Lingua Portuguesa da 4 e 8 séries do ensino fundamental, foi aplicada em mais de 40 mil escolas. O objetivo é o de mostrar “um conjunto de procedimentos, atividades, experiências e ações que apresentam resultados positivos na melhoria da aprendizagem de crianças e adolescentes” (pag 64 do relatório em pdf). O que as 33 escolas têm de bom?

  1. Práticas Pedagógicas:
    • Trabalho em equipe, compartilhado e coordenado.Projetos de Ensino.
    • Inovações na organização da escola.
    • Ensino contextualizado.
    • Implementação de novas formas de acompanhamento e avaliação da aprendizagem dos alunos.
    • Realização de atividades externas com os alunos.
    • Incentivo à prática de jogos e esportes.
  2. A importância do Professor:
    • Formação.
    • Valorização do Professor.
  3. A Gestão Democrática e a Participação da Comunidade Escolar:
    • Conselhos escolares atuantes e fortalecidos
    • Participação das famílias
    • Participação de alunos em atividades socioculturais ou voltadas para a participação na gestão escolar.
    • Decisão coletiva no que diz respeito às práticas pedagógicas.
  4. A Participação dos Alunos: As crianças são vistas de maneira positiva, nunca como crianças-problema.
  5. As Parcerias Externas ligadas aos recursos e infra-estrutura da escola, a projetos socioculturais ou a ações socioeducativas.

O estudo do INEP merece consideração mas não traz novidades. Como fazer da exceção a regra?

Precisamos de um Super Herói? Em muitos casos estamos infantilizando ainda mais as nossas crianças. Aliás, mesmo adultos têm sido tratados como bebês. Ficamos preocupados com os que abandonam a escola ou não têm vontade de esudar e não valorizamos os que ficam e estudam. Aí a situação tende a piorar. Que tal investirmos mais nos que dão atenção e “tiram boas notas”?
super professor