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O caos e o alinhamento de 2012

Quinta-feira, 12, Novembro, 2009 Samuel 1 comentário

Como eu havia previsto há exatamente 20 meses e 12 dias (oh my God! 20 12 de novo), um filme com todos os efeitos especiais que se pode pensar para ilustrar cenas de destruição da Terra, vai ser lançado neste mês, na sexta-feira 13 de novembro de 2009. Holliwood não perde uma oportunidade de explorar as crendices: sexta-feira 13. Tem gente que não faz cirurgia neste dia, sabia?

O melhor trailer que encontrei foi este:

São 5 minutos de muita destruição e o mocinho corre pro lugar certo, consegue se desviar de prédios em queda etc. Mas é logico! É a história de quem sobreviveu. ;)

Um jornalista queria saber se haverá um novo alinhamento em 2012. Nada de extraodinário. Os planetas estarão distribuídos como na imagem abaixo:

Sistema Solar em Dezembro de 2012

Sistema Solar em Dezembro de 2012

Se formos olhar apenas os planetas mais internos do sistema solar e mais próximos, eles estarão assim:

Planetas internos do sistama solar em 21 de Dezembro de 2012

Planetas internos do sistama solar em 21 de Dezembro de 2012

Aí a pergunta foi mais específica sobre o eixo de rotação. De fato, o eixo de rotação da Terra, não é perpendicular ao plano da órbita em torno do Sol e graças a isto temos as estações do ano. E de fato, há uma pequena variação deste eixo com repetições a cada 25800 anos.

Precessão do eixo da Terra

Precessão do eixo da Terra

Mas em 2012 não haverá qualquer alinhamento anormal do eixo da Terra.

Sabemos, pela física teórica, que o sistema solar é caótico, no sentido de que as previsões de longos tempos ficam (exponencialmente) cada vez mais imprecisas.

Eu estou aceitando doações em cheques pré-datados para janeiro de 2013. Ou então, eu aposto que vai acontecer algo importante em 2012, como tem acontecido em todos os anos, mas não será o fim do mundo. Quer valer uma aposta?

CategoriasGeral

A arte da ciência: criando um futuro melhor

Quarta-feira, 4, Novembro, 2009 Samuel 4 comentários

Introdução

O título deste post foi o tema da Conferência de 2009 da ASTC (Associação de Centros de Tectnologia e Ciências) na qual tive a oportunidade de participar.

A ASTC 2009 aconteceu em Fort Worth, terra onde o velho Oeste começou. Este é o lema da cidade que é bem valorizado.

Mercado de troca e venda de gado em Fort Worth

Mercado de troca e venda de gado em Fort Worth

Todos os dias há uma parada de gado “longhorn” e de cowboys no Live Stock District:

Parada de gado longhorn em Fort Worth

Parada de gado longhorn em Fort Worth

O interessante da cidade, que tem um centro muito bonito e empresarial, é que a tradição dos Cowboys convive com outras formas culturais e não por acaso a cidade abriga muitos museus interessantes e agora está inaugurando um enorme museu de ciências.

Impressões genéricas

Capitalismo americano

Todos falam da crise econômica, mas o que me chamou a atenção foi um anúncio na TV (nem lembro do que era). “Nesta crise, aproveite a oportunidade para renegociar TUDO”.

Nos aeroportos, alguns empresários perceberam que há uma demanda enorme por acesso à internet wireless. São aqueles viciados em e-mail que não podem ficar muito tempo sem conexão. Se há procura, há oferta a um preço que eles avaliam alguém vai pagar. Até aí não há diferença dos aeroportos no Brasil recentemente. O que chamou a atenção é que a competição por “escolher” um determinado aeroporto também existe. Assim, a internet é livre no aeroporto de Orlando, que precisa atrair mais viajantes do que em Dallas, por exemplo.

Tempo é dinheiro, e isto é levado a sério pelos americanos. Eu reservei o hotel com bastante antecedência e tive um preço e qualidade melhores do que um colega que teve que escolher o hotel na semana antecedente ao evento.

Apesar de toda a crise, a riqueza acumulada neste país é muito grande. Basta ver o tamanho e movimento nos aeroportos.

Urbanismo americano

Na maior parte das cidades americanas, a ocupação urbana é de baixa densidade. Isto implica tudo muito espalhado e longuíssimas distâncias conectadas por rodovias enormes com muitas faixas etc. Em resumo, é quase impossível não ter carro próprio para se deslocar de um lugar para o outro. O trânsito é muito ordenado, sob vigilância onipresente de policiais.

Regras pra tudo

Gostando ou não, há regras bem estabelecidas que prevêem quase tudo. Por exemplo, no centro de Fort Worth havia um show de música texana popular, um rock caipira (coutry rock). Começou logo após o almoço. O local foi cercado (cerca baixa), e fica então permitido o consumo de álcool (para maiores de 21 anos) mas apenas no interior do cercado. Veja a foto:

show de regras

Concerto de country music in Fort Worth

De costas vemos alguns policiais que não pensam duas vezes antes de expulsar alguém que esteja ficando inconveniente. Eu vi uma cena assim: Quatro policiais enormes colocando, gentilmente, um sujeito pra fora. Para entrar no cercado US 25 e nem pensar em saltar só porque é baixo. Se quiser assistir ao concerto, do lado de fora, não há problema.

Placa de piscina em Fort Worth

Placa com proibições em piscina estética em Fort Worth

A cidade tem um jardim com cascatas artificiais e espelhos d´água. Veja a placa de uma piscina:

Na parte de baixo dá pra ver cinco símbolos de proibições.

A conferência

A feira de fornecedores

Na sexta-feira um grande saguão foi usado para stands de empresas que de alguma forma fornecem produtos ou serviços para os museus de ciência. Impressionante. Eles são muito profissionais e fazem excelente propaganda de tudo. Eu tenho mais de 70 folders ou cartões. O problema é que eles cobram caro para os nossos padrões brasileiros, mas algumas coisas valem a pena.

O uso de alta tecnologia pra imagens talvez teve a maior quantidade de oferta e variedades. Nesta categoria coloco o globo digitalizado, que o nosso Museu Exploratório de Ciências – Unicamp vai comprar, veja do que ele é capaz:

Global ImaginationO globo é uma tela esperta que projeta o que o software indicar. Novas aplicações vão se juntar às existentes que lidam com geografia, mudanças climáticas e astronomia.

Eu também achei interessante e acessível para o nosso Museu Exploratório de Ciências – Unicamp o wentzcope, que é um microscópio que os visitantes podem facilmente usar, manipular e trocar de lâminas.

Wentzscpope
O nome do aparelho é homenagem óbvia ao inventor, Budd Wentz, com que conversei um pouco.

Outra atração em várias versões foi a dos planetários. Por vários motivos eu gostei da proposta da e-planetarium.

planetarium portátil

Há outros itens interessantes que oportunamente vamos estudar a viabilidade de termos na Unicamp.

O centro de convenções

O local das atividades foi o centro de convenções de Fort Worth, no centro da cidade. É enorme, aliás, o Texas tem mania de grandeza.

Centro de convenções de Fort Worth

Centro de convenções de Fort Worth

Nos ambientes de maior público (havia uns 1500 participantes), telões de alta definição mostram a imagem dos palestrantes ou do palco. Tudo high tech.

As palestras e workshops

Havia muitos eventos em paralelo. Eu tentei acompanhar ou assistir aqueles que tinham alguma chance de ser úteis para o nosso caso.

As apresentações foram, em sua maioria, apresentação de casos particulares. Um tema recorrente foi a da sustentabilidade. E neste sentido, o pragmatismo do capitalismo americano vem à tona na forma de uma empresa, de um negócio que tem que ser auto-sustentável e de preferência dê lucro para novos investimentos.

Outro tema recorrente foi a do envolvimento com a comunidade local e, a grande maioria dos centros e museus de ciências oferecem atividades de ensino não formal, após a escola ou durante as férias escolares.

Finalmente, o tema da arte, que foi o título, de fato apareceu em várias sessões. A idéia de misturar arte com a divulgação científica, na forma de pintura, teatro, fotografia e cinema.

Uma atividade que achei interessante, usa os recursos de câmaras digitais para fazer animações. Em poucos passos um grupo de crianças, adolescentes ou adultos pode fazer um filme com algum enredo. Em alguns casos a proposta foi de enredos livres, mas pode-se propor enredos de cunho informativo e científico.

Por razões didáticas, a escolha do MonkeyJam foi a que mais agradou-me. É um programa gratuito, mas há outros similares, como o Cyberlink. A moral da história é que a interação dos visitantes com esta atividade é garantida. Este tipo de atividade pode ser implementada nas férias, por exemplo.

Algumas apresentações envolviam dinâmica de grupo, o que é bom pra não ficar com muito falatório, mas eu não podia facilmente estar em muitos grupos ao mesmo tempo, que era o meu objetivo, a saber, absorver o máximo de ideia para processar enquanto volto ao Brasil.

Foi a minha primeira participação neste tipo de evento e confesso ter estranhado o caráter empresarial e comercial. Em uma palestra, uma senhora com estilo de animadora de vendedores falava de como conseguir recursos com os membros, visitantes etc. A palestra tinha o estilo de auto-ajuda. Eu saí quando ela falou:

Nós temos dois ouvidos e apenas uma boca para ouvirmos o dobro do que falamos

E com esta pérola ela queria ensinar aos executivos de museus que deveriam ouvir mais os visitantes, os funcionários etc do que falar e dar ordens. Ah se o mundo tivesse essa simplicidade linear! Muito senso comum pro meu gosto. Saí e fui pra outra sala.

Finalmente, uma sessão que prometia ser boa era a das experiências dos centros e museus de ciências que foram construídos ou reformados recentemente. Os apresentadores falariam o que repetiriam e o que não fariam novamente.

De fato foi interessante, mas as configurações são tão diferentes da nossa, que pouca coisa foi acrescentada. Todos eles reclamaram da interação dos empreiteiros e fornecedores com os objetivos, prazos e propósitos da divulgação científica, algo que já sabemos que é complicado mesmo, e que não tem solução global.

Conclusão

A conferência da ASTC 2009 foi interessante principalmente pelos contatos e possibilidades de interação internacional que percebemos serem possíveis. Em termos de conteúdo ficou a desejar, mas eu não saberia o que deveria melhorar.

Do ponto de vista de visita (turismo), conhecer Fort Worth foi muito interessante, especialmente visitar o novo museu de ciências e o museu Kimbell de artes, que tem um quadro de Michelangelo quando ele era adolescente.

O problema é que depois de tanta informação, fiquei de cabeça cheia.

Samuel de cabeça cheia

Samuel de cabeça cheia

CategoriasCiências, Cultura, Geral Tags:,

Por que a crença em alienígenas?

Segunda-feira, 12, Outubro, 2009 Samuel Deixe um comentário

O artigo “Por que a crença em alienígenas?” publicado na revista on-line ComCiência resume parte da dissertação de Mestrado de Rodolpho dos Santos que apresenta várias razões para as crenças populares em discos voadores ou OVNIs. Muito bom.

O artigo finaliza com uma forte recomendação, feita originalmente pelo do astrônomo Steven Dick à comunidade científica, sobre a importância de esclarecer o público leigo em geral sobre os fenômenos astronômicos ou atmosféricos e sobre o rigor do método científico.

Quem dera  tivéssemos mais redatores, escritores, roteiristas e diretores com mais conteúdos e menos crenças.

Imagem de filme famoso que trata de extra-terrestre

Imagem de filme famoso que trata de extra-terrestre

Omega Centauri em detalhe

Domingo, 20, Setembro, 2009 Samuel Deixe um comentário

O telescópio satélite Hubble foi recondicionado e há novas imagens de tirar o fôlego de astrônomos profissionais e amadores. Veja por exemplo a quantidade de detalhes do aglomerado Omega Centauri:

Aglomerado de estrelas Omega Centauri

São estimadas 100 mil estrelas no núcleo relativamente denso deste aglomerado que está a 16 mil anos-luz daqui.

Neste aglomerados vemos estrelas de todas as idades.

  • A estrelas amarelas claras são do tipo do nosso Sol, jovens adultas que queimam hidrogênio.
  • As estrelas amarelas alaranjadas são mais velhas, estão se esfriando.
  • As estrelas vermelhas são mais velhas ainda e são gigantes.
  • As estrelas azuis são mais velhas ainda, mais densas e já queimam hélio.
  • Depois disto, na sequência de idades, vêm as estrelas anãs brancas que já estão acabando até o hélio.

Agora imagine um planeta em torno de uma destas estrelas. Se a distâncias estiverem apropriadas para a vida, podemos invejar as noites neste planeta fictício que teria um céu noturno 100 vezes mais brilhante que as nossas noites pela relativa proximidade e densidade de estrelas vizinhas.

Por outro lado a dinâmica atmosférica em um planeta destes não seria trivial dada a provável variação de radiação estelar que certamente teria impacto no clima. Enfim. Só podemos imaginar e fazer modelos para um cenário destes. E não custa sonhar …

Obrigado Hublle, mais uma vez.

CategoriasAstronomia, imagens Tags:

Nova gripe do Influenza A tipo H1N1

Quinta-feira, 27, Agosto, 2009 Samuel 5 comentários

Nesta semana (27/Agosto/2009) o Brasil passa a ser o país com  o maior número absoluto de mortes pela nova gripe. A pandemia que começou na américa do norte atingiu a américa do sul com mais fatalidades por razões óbvias no atendimento médico.

O que mais impressiona nesta gripe aqui no Brasil é a sua taxa de mortalidade. Era de se esperar um número absoluto alto de pessoas com os sintomas da gripe no segundo país mais populoso das Américas, mas isto não justifica tantas mortes.

Podemos duvidar dos números levantados por falta de tradição em registros estatísticos. O diagnóstico também tem margem para erros pois é comum haver outras doenças nas vítimas, mas de acordo com o relatório do ministério da saúde:

Dentre os casos de SRAG (síndrome respiratória aguda grave) pelo novo vírus de influenza A(H1N1) que apresentam pelo menos um fator de risco, a letalidade foi de 16%, enquanto que para os casos de SRAG pelo novo vírus influenza A(H1N1) que não apresentam nenhum fator de risco a letalidade foi de 9,8%.

Veja o Informe Epidemiológico Influenza A (H1N1) • Ano 1 • nº 4 • agosto 2009 • pagina 5 Nesta semana os números de letalidades não são muito diferentes. Veja Informe Epidemiológico Influenza A (H1N1) • Ano 1 • nº 6 • agosto 2009 • pagina 6:

Entre os 5.206 casos de SRAG confirmados para Influenza A (H1N1), 557 (10,7%) evoluíram para óbito.

Moral da história: Esta nova gripe não é como a sazonal que acontece durante o inverno em qualquer lugar do mundo moderno e, até onde sabemos, não tem tanta letalidade assim.

Em outras palavras, de cada dez pessoas com a nova gripe suína, uma pode morrer. Isto é demais.

Se olharmos o número de mortes por população, podemos ter a impressão de que é um número baixo. Atualmente foram mais de 500 mortos para uma população de 190 milhões. Mas se a contaminação continuar e o vírus ou um mutante sobreviver até o próximo inverno, teremos mais mortes ainda.

Veja um mapa da pandemia.

As boas novas são que o número de pessoas com os sintomas da nova gripe está diminuindo. Isto pode ser conseqüência do aumento relativo das temperaturas.

Para todos os efeitos, a prevenção é o melhor remédio:

  • Evitar o contato direto com pessoas doentes.
  • Sempre lavar as mãos com água e sabão.
  • Manter a higiene diária (troca de roupas e banhos).
  • Procurar um médico assim que tiver um sintoma suspeito
  • Não confiar na auto-medicação.

Não devemos entrar em pânico nem cair na histeria, mas devemos observar com a metodologia científica o que está acontecendo.

A atração de Júpiter, as crateras e os asteróides

Sábado, 15, Agosto, 2009 Samuel 2 comentários

No mês passado Júpiter captou um objeto e foi a atração da comunidade de astrônomos amadores, pois quem primeiro viu foi um amador. Assim que ele avisou a comunidade, o telescópio profissional captou as imagens abaixo com mais detalhes (clique para ampliar).
Impacto em Júpiter e a imagem da Terra para comparação
Impacto em Júpiter em detalhe
Credit: Paul Kalas (UCB), Michael Fitzgerald (LLNL/UCLA), Franck Marchis (SETI Institute/UCB), James Graham (UCB)

Este mês Júpiter chama a atenção por estar em oposição, isto é, o Sol a Terra e Júpiter estão quase alinhados, o que aumenta o seu brilho aparente pois está mais próximo da gente do que em outras épocas da nossas órbitas relativas.

stellarium-025

Para ver Júpiter até o fim deste mês, não tem erro. Vai ser um dos pontos mais brilhantes do Céu. Vai sair do lado Leste no início da noite e vai brilhar até a madrugada. Quem tiver céu claro e um pequeno telescópio destes em promoção nas lojas de óculos, pode ver o planeta e as suas luas principais, como nas ilustrações acima.

É interessante perceber que os planetas e seus satélites têm sido atingidos por pequenos objetos ao longo de todos os tempos. Basta observar as crateras da Lua.

Crateras da Lua. Histórico de impactos.

Crateras da Lua. Histórico de impactos.

Aliás, alguns astrônomos já conseguiram pegar o momento de impacto de alguns objetos na Lua, onde levanta poeira e parece uma pequena explosão.

Explosões recentes na Lua indicam impacto de pequenos objetos.

Explosões recentes na Lua indicam impacto de pequenos objetos.

Nesta semana a nave de exploração de Marte enviou imagens com a maior qualidade possível (visão oblíqua com sombras ajudam na visão de profundidade) da cratera Vitória:

Cratera Vitória de Marte

Cratera Vitória de Marte

Na Terra identificamos várias crateras, como no Arizona:

Cratera no Arizona

Cratera no Arizona

A pergunta que não se cala. Com que freqüência estes choques violentos acontecem. Estamos ameaçados? Sim, mas tem alguns estudiosos rastreando os pequenos objetos que podem cruzar a órbita terrestre para anteciparem algum desastre. Notem que isto não é fácil, pois o asteróide que atingiu Júpiter não tinha sido avistado antes da colisão com o super planeta. Alguns asteróides são pequenos e escuros para serem vistos, e mesmo assim, podem causar estragos.

Por enquanto, se um asteróide ou cometa estiver em rota de colisão com a Terra, a melhor estratégia é viajar para o outro lugar em que o impacto não cause danos. Para isto, o local do impacto deve ser calculado com bastante precisão e antecedência (semanas ou meses).

[updated]A atração gravitacional de Júpiter tem um papel importante de proteção para a Terra para asteróides ou cometas vindo de longe, das núvens de Oort, mas para os asteróides do cinturão de Kuilbert, a atração de Júpiter nãos nos protege, muito pelo contrário, vide a nossa Lua e Marte.

Não há razão para paranóias,  pelo contrário, isto tudo é muito fascinante.

Apollo 11: Missão cumprida há 40 anos

Segunda-feira, 20, Julho, 2009 Samuel Deixe um comentário
Apollo 11 logo

Apollo 11 logo

O programa Apollo dos Estados Unidos começou em 1961 no governo Kennedy, democrata e terminou em 1973 no governo Nixon, republicano. Foram 17 missões, quase todas elas bem sucedidas em um contexto de uma corrida espacial e guerra fria com a União Soviética.

Hoje comemoramos os 40 anos da décima primeira missão na qual dois homens pousaram e pisaram na Lua pela primeira vez.

Para refazer a viagem que os astronautas fizeram veja a animação do Kennedy Museum.

Este ano comemoramos também os 400 anos em que Galileo olhou para a Lua com mais detalhes, mas ao ser humano não basta ver com os olhos (sic) ou mesmo com auxílio de lunetas e telescópios. Tem que pegar com as próprias mãos se possível. E por isto o homem foi, pousou e pisou na Lua e da lá trouxe uns 20 kg de amostras para que pudéssemos contemplar com as nossas própias mãos.

Veja a foto do local do pouso do módulo Eagle:

Local de pouso da Eagle do Apollo 11

Local de pouso da Eagle do Apollo 11

Atualmente os cientistas querem conhecer mais detalhes ainda da Lua com satélites artificiais que têm coletado muitos dados do nosso grande satélite natural. Por exemplo, quais são as variações do campo gravitacional lunar (que é menos intenso que o terrestre). Veja a ilustração:

Variações do campo gravitacional lunar

Variações do campo gravitacional lunar

Estas variações do campo gravitacional são indicativos de composições não homogênea da Lua.

Tudo indica que outras viagens tripuladas à Lua vão acontecer novamente, talvez como ponto de apoio para uma viagem ainda mais ousada, mas plenamente possível atualmente: pisar em Marte.

Quem viver, verá.

Mais luzes das estrelas, menos poluição luminosa

Segunda-feira, 22, Junho, 2009 Samuel 2 comentários

Queremos ver mais estrelas e desperdiçar menos energia elétrica.

Veja o vídeo abaixo com imagens de satélites. [editado por J Richards]. As luzes das cidades estão chegando ao espaço. Pra quê? Além de muitos recursos desperdiçados, as noites das cidades ficam poluídas e não podemos ver as luzes das estrelas.

Reproduzo abaixo o excelente artigo:

O direito à escuridão noturna

Combater a poluição luminosa ― um malefício para a economia, o ambiente e a astrofísica― é mais simples do que se pensa

Augusto Damineli Edição Online – 15/06/2009

© C. Mayhew & R. Simmon (NASA/GSFC), NOAA/ NGDC, DMSP Digital Archive

A poluição luminosa tem sido negligenciada pelo poder público e pelos ambientalistas. Os astrônomos têm lutado contra ela há mais de um século, sem muito sucesso. Ela traz 3 malefícios: desperdício econômico, impacto negativo sobre a fauna noturna e apagamento dos astros. Seu combate é mais simples do que para os outros tipos de poluição.

As fotos de satélites (ao lado) mostram manchas luminosas que definem perfeitamente as zonas urbanas, indicando que parte significativa da luz noturna é lançada acima do horizonte. As avaliações feitas nos Estados Unidos contabilizam que 30%  da iluminação pública é desperdiçada dessa forma, num montante de US$ 2 bilhões anuais. Esse padrão se repete em todo o resto do globo terrestre, resultando em dezenas de bilhões de dólares literalmente jogados ao espaço. Só esse fato mereceria uma racionalização da iluminação pública. Mas existem outras razões importantes: ninguém ganha nada com esse desperdício, o contribuinte paga a conta em dinheiro, o meio ambiente perde muitas vidas e nós perdemos o acesso a incríveis laboratórios de física disponíveis no Universo.

O remédio é simples: iluminar só onde é necessário para movimentação noturna. A luz que escapa na linha do horizonte ou acima dele traz dois problemas. Além de gerar uma conta a ser paga pelo contribuinte, ofusca os transeuntes, diminuindo a visibilidade dos alvos que se queria iluminar. Direcionar a luz para o chão num ângulo adequado permitiria visualizar bem o ambiente com lâmpadas de potência muito menor.  Para a iluminação pública, existe um tipo de luminária desenhada para isso, a full cutoff, que, infelizmente ainda não é usada amplamente. Um tipo muito utilizado traz a lâmpada encapsulada num recipiente de alumínio, coberta por um vidro prismático, que refrata a luz para ângulos muito abertos, de modo que parte da luz atinge a linha do horizonte. Existem formatos muitos piores em que a luz é lançada em todas as direções. Na figura apresentamos os 4 tipos básicos:

Uma boa política de iluminação pública seria parar de instalar luminárias inadequadas, usando sempre as full cutoff, substituir as péssimas e corrigir as ruins. A correção pode ser bastante simples, usando uma cinta de alumínio de 12 centímetros na borda inferior da luminária, como demonstrado pelo astrônomo amador José Carlos Diniz em sua casa de campo num  condomínio em Nova Friburgo (RJ), reposicionando o braço de sustentação da luminára para um ângulo mais próximo da horizontal.

Não é raro ver luminárias com arquitetura correta, mas colocadas em postes muito altos, iluminando a copa das árvores. Um triplo problema: prejudicar os seres que habitam essas árvores, deixar de iluminar os cidadãos que transitam debaixo delas e gerar uma conta que estamos pagando. Algumas lâmpadas emitem um espectro luminoso inadequado, como as de mercúrio, que têm uma linha espectral na faixa violeta quase invisível ao olho humano, mas que atrai fortemente pernilongos e outros insetos.

No caso do céu noturno, há uma contradição: o mesmo progresso que possibilita a detecção de astros cada vez mais fracos ilumina o fundo do céu e impede que eles sejam acessados. Cerca de um quarto da humanidade já não vê mais a Via Láctea. Ela é um patrimônio da humanidade e precisa ser preservada para a posteridade. Em alguns lugares, como no Chile, o astroturismo atrai visitantes de todo o mundo. Além desse país, os Estados Unidos, a Espanha, a Itália e a República Tcheca adotam normas de controle de poluição luminosa. No hemisfério Sul, a Via Láctea é um espetáculo sem igual nas noites de inverno. A rede de pesquisadores e astrônomos amadores que promove o Ano Internacional da Astrofísica 2009 está promovendo maratonas de observação da Via Láctea e avaliação, pela população, do impacto da poluição luminosa. Para conhecer as atividades desse programa, visite o site www.astronomia2009.org.br . Nas férias de julho, as noites sem luar são especialmente favoráveis à observação da Via Láctea, pois muitas crianças vão para locais fora das grandes cidades. Só falta os adultos fazerem seu papel e as convidarem para contemplar esse magnífico espetáculo.

A iluminação irracional causa baixas na fauna noturna. Uma grande parte das espécies se adaptou à escuridão e necessita dela para se alimentar, se acasalar e se movimentar. A claridade produzida pela iluminação de monumentos públicos e plataformas de petróleo desorienta as aves migratórias. Insetos das florestas são atraídos para ambientes urbanos, morrendo aos montes ou se adaptando e passando a se alimentar das pessoas, transmitindo doenças. Nossos próprios antepassados mamíferos eram animais noturnos, no tempo dos dinossauros, usando o manto protetor da escuridão para se proteger dos predadores. A iluminação noturna invade esse ambiente e desaloja seus habitantes de modo análogo à derrubada das florestas.

No ritmo em que a iluminação irracional cresce, em pouco tempo não haverá mais noite escura na Terra. Isso será uma transgressão irreparável ao direito das espécies que se adaptaram à escuridão noturna e dos cidadãos que se dedicam a estudar e a contemplar o céu. Participe das atividades na “Maratona da Via Láctea”, centradas na fase de lua nova, nos meses de junho, julho, agosto e setembro.

Como você vê a Via Láctea na sua cidade?

Para mais informações:

Rede AIA2009
Dark Skies Awareness (IYA2009)
International Dark-Sky Association
Excelentes reportagens  na revista National Geographic
Cerro Tololo Interamerican Observatory
Odilon Simões Corrêa:
Roberto Silvestre
José Carlos Diniz

Inverno: dia mais curto do ano

Domingo, 21, Junho, 2009 Samuel 6 comentários

Por definição, o inverno começa no dia mais curto do ano. Podemos citar três observações contundentes a respeito deste dia chamado de solstício de inverno:

  1. O Sol nasce  mais tarde;
  2. O por-de-Sol acontece mais cedo;
  3. A sombra de algo vertical ao meio dia é a maior.

Tudo em relação aos outros dias do ano para um determinado local geográfico (ou à mesma latitude norte ou sul). Estas observações precisam de instrumentos simples. Bastam metodologia de anotar dados, medir as sombras, e ter um relógio confiável numa margem de erro de até 3 minutos.

Há outras observações mais sutis:

  • O tempo do Sol cruzar o horizonte (ao nascer e ao se por) são maiores pois neste dia o Sol não cruza o horizonte de maneira perpendicular.
  • O trajeto do Sol ao longo do dia é de fato no sentido Leste-Oeste apesar de estar bem mais ao Norte. Isto é, praticamente o Sol nasce no Nordeste e se põe no Noroeste.
  • O Sol está em uma ponta extrema do analema.

No vídeo abaixo, veja a animação da posição do Sol ao longo do ano (em um mesmo horário a cada dia) com as constelações do Zodíaco no fundo e a trajetória do analema.

Tentei apresentar acima o que pode ser medido com relógios, réguas, transferidor etc, mas com a ajuda de instrumentos muito mais precisos (relógios atômicos, satélites artificiais etc) sabemos que até mesmo a medida de tempo precisa de correções.

As informações abaixo valem para a região de Campinas, SP, Brazil:

  • O dia 7 de Junho foi o dia de por-de-Sol mais cedo, a saber, 17h30m;
  • O dia 4 de Julho vai ser o dia de alvorada mais tardia, a saber, 6h50m;
  • No dia 21 de Junho, o Sol nasce  às 6h48m e se põe às 17h32m, isto é, dez horas e quarenta quatro minutos de Sol. Veja dados para sua localização no USNO.
  • Ao dia aparente (de meio dia local a outro meio dia local) faltam um minuto e quinze segundos para completar as 24 horas do tempo solar médio. Veja equação do tempo.

Dica do Física na Veia! Eu estava escrevendo algo, quando vi o instrutivo post do prof. Dulcídio Bras Jr.

Veja mais sobre analemas.

CategoriasAstronomia

Mais um primo de Mersenne descoberto. Agora são 47.

Domingo, 14, Junho, 2009 Samuel 1 comentário

Os números primos de Mersenne são do tipo Mp = 2p – 1, onde p é um número primo. O número descoberto pelo projeto de computação distribuída GIMPS tem 12837064 dígitos (na representação decimal). Um número com quase 13 milhões de dígitos não é fácil de lidar. Nem mesmo com computadores. Este novo primo de Mersenne foi processado em um computador de 3 GHz Intel Core2 em 29 dias, sem parar.

Quem encontrou o primo? Foi um gerente de T.I. Na realidade ele colocou os computadores à sua disposição para descobrir que o número encontrado só é didvidido por um ou por ele mesmo.

Números de Mersenne

Números de Mersenne

Você também pode fazer isto e ser o próximo descobridor de um primo de Mersenne e todos terão chances de encontrar um primo de Mersenne pois provavelmente não tem limites. Provavelmente. O problema é que os números com poucos dígitos já foram descobertos. Os próximos serão ainda maiores.

Se você quiser doar parte de seus recursos computacionais para o projeto de encontrar números primos de Mersenne, veja as simples instruções.